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É a hora de aproveitar para investir na nova Estação de Monta e isso deve ser feito de forma estratégica

Com a estiagem se alongando por todo o Brasil Central e com a grande retenção de fêmeas bovinas para reprodução, os produtores devem estar atentos na próxima estação de monta (EM), principalmente às novilhas e primíparas. Porém, com orientações claras e cientificamente comprovadas, o pecuarista não precisará temer a passagem de mais essa etapa da produção. Esse é um momento importante no processo de cria e, adotando cuidados e recomendações corretos, é possível obter bons índices. Caso contrário, a estação de monta pode ser, sim, um desastre. Para que isso não ocorra, seguem seis dicas imprescindíveis a se atentar nessa fase:

1 – Indução de ciclicidade e puberdade em novilhas

A expectativa para este ano é de atipicidade devido à estiagem que assolou o País em uma onda que vem de dois anos seguidos. Nesse cenário, a atenção deve ser redobrada no protocolo de indução das novilhas, que pode ser feito utilizando-se progesterona (P4) injetável, dispositivos de P4 novos (de 0,5g ou 1g) ou ainda dispositivos de segundo ou terceiro uso, desde que bem lavados, desinfetados e armazenados.

O protocolo expõe as novilhas tanto a uma fonte de progesterona exógena (injetável ou em dispositivos) como também aos estrógenos, benzoato (BE) ou cipionato de estradiol (CE). De forma simples, na prática, se adota o primeiro dia como Dia 0 (D0) para colocação do dispositivo de P4 intravaginal (1g, 0,5g ou reutilizado) e no Dia 10 (D10) se faz a retirada do dispositivo e a aplicação do estrógeno, geralmente usando o Cipionato de Estradiol (CE – 0,5mg) intramuscular. Quem optar pelo uso da P4 injetável no D0, deverá fazer a aplicação do estrógeno no D12, já que a P4 tem ação prolongada nas novilhas.

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2 – Exame ginecológico nas fêmeas de mais de uma cria

Esse procedimento deve ser feito entre dois momentos: prévio à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) ou até no D0, previamente à aplicação do dispositivo de progesterona, por meio de toque-retal ou uso de ultrassom. É fundamental para excluir animais com lesões de cérvix, infecções uterinas (metrites ou endometrites), entre algumas outras questões físicas/infecciosas, evitando gastos com a sincronização de fêmeas não aptas à reprodução. O processo consegue identificar se a fêmea terá uma gestação tranquila, se será uma boa mãe e gerará bons produtos. Além disso, consegue sinalizar problemas com os animais e ajudar na tomada de decisões.

3- Suplementação com microminerais e vitaminas injetáveis

Outra ferramenta que deve ser utilizada é a suplementação com microminerais (Zn, Cu, Se e Mn) e vitaminas (A e E) pré-protocolo de IATF para combater radicais livres (ERO´s) produzidos pelo estresse oxidativo.

Vale lembrar que o organismo possui um complexo sistema de proteção antioxidante para evitar a formação de radicais livres ERO´s no organismo, que são formados constantemente no metabolismo celular normal e em vários eventos patológicos. Entretanto, quando em excesso como em situações de estresse de transporte, de doenças e manejos extenuantes, podem ocasionar a oxidação de moléculas biológicas. O desequilíbrio entre o desafio oxidativo e a capacidade de defesa antioxidante do organismo é denominado estresse oxidativo. Uma maneira de combater o estrese oxidativo é aumentar a produção de antioxidantes pelo organismo ou absorvidos na dieta, com uma suplementação mineral e vitamínica injetável.

4 – Vacinas Reprodutivas

As doenças infecciosas reprodutivas, tanto virais, quanto bacte

rianas e parasitárias, necessitam estar no radar do produtor durante a estação de monta. Herpes vírus bovino (IBR-1), peste vírus bovino (BVD 1 e 2), leptospiroses e bactéria Campylobacter são alguns exemplos de enfermidades que afetam as fêmeas reprodutoras, principalmente as novilhas.

Uma estratégia vacinal a ser empregada pode ser utilizar no Dia 0 da indução de ciclicidade/puberdade das novilhas para primeira dose das vacinas reprodutivas (Bioabortogen H + Bioleptogen) e o D0 da IATF para fazer a 2ª dose. Caso o produtor não vá fazer a indução das novilhas, a vacinação das mesmas – e das outras categorias (primíparas e multíparas) – pode ser feita no D0 (1ª dose) do protocolo de IATF e no D40 (2ª dose), no primeiro diagnóstico de gestação. Estes momentos também podem ser utilizados para aplicação da suplementação injetável (D0 e D40), pontuado na dica #3.

5 – Utilização de fosfato de levamisol

É sabido que o controle parasitário é uma ferramenta indispensável para evitar perdas no desempenho produtivo dos animais. O que não se sabia ainda é que o uso de parasiticidas para o tratamento de verminoses também pode elevar a eficiência reprodutiva de matrizes de corte submetidas à IATF. É o que mostrou um estudo de campo realizado por um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela médica-veterinária Dra. Roberta Machado Ferreira Saran, em parceria com o professor Dr. Pietro Sampaio Baruselli.

Segundo a pesquisadora, muitos pecuaristas se sentem atraídos pela ideia de aproveitar o manejo de IATF nos currais para também lançar mão de estratégias de controle parasitário, mas acabam desistindo em fazê-lo justamente por temer algum efeito negativo desses medicamentos na taxa de fertilidade. Com base nos resultados da pesquisa, o uso de antiparasitário, fosfato de levamisol durante o período de estação de monta, além de garantir o controle das verminoses, proporcionou melhor desempenho reprodutivo e maior ganho de peso dos animais.

6- Protocolos de IATF e ressincronização

É preciso muita atenção no protocolo de inseminação utilizado, especialmente diante das especificidades por tipo, raça, idade e/ou arraçoamento. Do mesmo modo, a ressincronização pode estar entre as “cartadas do produtor”. A nutrição terá um impacto forte na ciclicidade e prenhez dos animais e uma segunda chance de inseminação artificial, por meio de resincronização, deve fundamental para não perder a oportunidade de emprenhar mais fêmeas, em especial as novilhas – futuras matrizes da propriedade.

A ressincronização consiste em fazer uma nova IATF logo em seguida de uma IATF anterior, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Pensando em vacas de corte, o início do protocolo de IATF pode se dar 22 dias após a IATF anterior (todos os animais são protocolados e o diagnóstico de gestação ocorre somente no dia da retirado do dispositivo intravaginal de progesterona) ou 30 dias após a IATF anterior. Neste caso, o protocolo é iniciado no momento do diagnóstico de gestação e somente as vacas vazias são reprotocoladas.

É a hora de aproveitar para investir na nova Estação de Monta e isso deve ser feito de forma estratégica. As incertezas climáticas, cambiais e políticas acenderam um alerta ao campo: não atrase sua EM, muito menos a alongue: utilize as orientações que os resultados aparecerão. E tome cuidado com informações recebidas em grupos de WhatsApp, dizendo que o protocolo X, Y, ou Z é milagroso. Solicite comprovação científica por meio de publicações, artigos, ou pôsters de congressos que comprovem as indicações.

Fonte: O Presente Rural
Por Reuel Gonçalves: médico-veterinário e gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó

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